Esse fim de semana comecei a ler o livro “Criando bebês felizes”, do psicólogo australiano Steve Biddulph. Confesso que fiquei um pouco surpresa com o conteúdo. O autor descreve o grande perigo de colocar crianças menores de três anos em creches ou escolas. Ele trata do assunto ressaltando a real necessidade da presença ‘integral’ dos pais na vida dos bebês (até os 36 meses). Segundo Steve, o valor mais importante para a criança nesta fase é o amor – um princípio fundamental da psicologia. Ele se ampara no discurso que, entregar o bebê nas mãos de um profissional por até 10 horas diárias, é privá-lo do amor necessário para o seu desenvolvimento emocional, atitude essa que resultará, possivelmente, em crianças mais frias, introspectivas, deprimidas e estressadas. O psicólogo não joga palavras ao vento. No entanto, baseia-se em pesquisas realizadas em todo mundo e pela percepção e estudo pessoal do caso.
Além disso, ele faz uma crítica ao sistema ‘capitalista’ e, atualmente, ‘feminista’ da sociedade em geral, que coloca em primeiro lugar os valores do ‘ter’ e do ‘poder’, esquecendo-se, no entanto, dos princípios da boa formação da família, para que se criem adultos mais seguros, felizes e, conseqüentemente, uma sociedade com menos problemas. O autor não está errado no seu alerta. Mas admito que o que li me angustiou como mãe. Acredito ser uma ideologia criar nossos filhos como propõe Steve. Realmente seria um sonho poder ser responsável ‘integralmente’ pela criação do meu bebê até seu terceiro ano de vida e, após isso, poder retornar ao meu trabalho. Para mim não só foi como ainda é difícil a decisão de deixar meu filho ao cuidado de terceiros (mesmo que esses terceiros sejam seus avós), restando-lhe, apenas, as minhas poucas horas que sobram no fim do dia. Steve diz em seu livro que é muito mais barato para o governo incentivar e pagar para que as mães fiquem em casa cuidando de seus filhos do que ter que “restaurá-los” no futuro. Se isso fosse possível, não tenham dúvidas, eu estaria em casa com o meu bebê. Hoje mesmo fui levá-lo para vacinar. Ele completou 1 ano e 3 meses e tomou uma das vacinas mais doloridas e que, geralmente, tem reação. Meu coração doeu ao entregá-lo nas mãos do avô mostrando-me que a perninha estava doendo. É mais que evidente que eu queria estar ali para aconchegá-lo, brincar com ele para distraí-lo da dor e, inclusive, mostrar-lhe segurança e amor. Isso não foi possível. Bato o ponto às 9h e às 9h estava trabalhando. Nos dias atuais, o mercado de trabalho exige pessoas cada vez mais experientes, atualizadas e diversificadas em sua área. Portanto, ou você se preocupa com o futuro profissional, ou se preocupa com a família. Ser um profissional de ponta requer tempo e dedicação. Ser bons pais e mães também requer tempo e dedicação. Sejamos coerentes: não dá para fazer os dois ao mesmo tempo. E se fizermos, será tal qual um cobertor pequeno que, ao cobrir os pés, descobre a cabeça. Emprego de meio período é uma raridade. A maioria dos trabalhadores cumpre uma jornada 8 horas diárias, sem contar o período do almoço. Somando o tempo perdido no trânsito, mais o intervalo para a alimentação, acabamos por ficar longe dos nossos filhos por mais de 12 horas de segunda a sexta-feira. E a educação deles, quem está dando? E se eles caíram e se machucaram, quem vai acolher e tratar o ferimento? E as mal criações de cada fase, como serão corrigidas? Comeram bem? Dormiram o suficiente? É… o autor do livro tem suas razões ao se perguntar que cidadãos serão esses se estão sendo cuidados por profissionais. Eu amo minha profissão. Mas meu amor ao Pedro é maior que o amor pelo jornalismo. No entanto, se eu me decidir em ficar com o meu filho, o mercado de trabalho não me perdoará. Então, quem se preocupará com o seu futuro e o sustento necessário para suas necessidades básicas? Não sou mãe solteira, graças a Deus, mas o custo de vida é tamanho que não permite que as mulheres se dêem ao luxo de permanecerem em casa responsáveis pela criação dos filhos. Eu também não faço parte do grupo de feministas que clamam por seus direitos. Preso os valores antigos. Tive a oportunidade de ser criada pela minha mãe e hoje colho os frutos de uma criação amorosa e muito bem equilibrada. Gostaria sim que os tempos fossem outros – infelizmente não são. O mundo não nos permite escolher. E isso me faz permanecer na cotidiana angústia de estar longe (por horas) do meu filhinho. Espero, pela graça de Deus, que o pouco tempo que passo com ele seja o suficiente para que ele se sinta amado e não abandonado.
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Junho 23, 2008 às 4:13 pm |
É Suzana, você escreveu um pouco da minha também angústia de ter que trabalhar e ficar todo esse tempo longe do meu pequeno príncipe, que tem que acordar cedo junto comigo para ir para a creche…todos os dias…
Beijo
Junho 23, 2008 às 7:52 pm |
Até eu, quando pai, ficarei mal ao ter que deixar minha “pimpolinha” (viu? já sei que será menina) para ter que trabalhar. É… somos filhos do capitalismo… não tem como fugir.
Junho 24, 2008 às 2:50 pm |
Bom, eu não deixo o Francisco em creche, ele fica com a minha mãe. Mas confesso que me sinto culpada as vezes por não dar toda a at~enção que ele merece…
Meu Deus!!!! O que fazer ????
Beijos
Outubro 10, 2008 às 3:11 am |
idem idem idem
Outubro 10, 2008 às 3:12 am |
li o livro e senti o mesmo
Janeiro 29, 2009 às 6:12 am |
Na busca pela “igualdade de direitos” entre homens e mulheres percebo que excessos graves têm sido cometidos, como o menosprezo à adequada criação dos filhos, que se vê “relegá-la a segundo plano” muito freqüentemente. Parece-me que como o resultado do mau-acompanhamento dos pais a essas crianças nos seus primeiros anos de vida seja algo bastante subjetivo e somente perceptível muitos anos mais tarde (ao contrário de, por exemplo, uma doença, tal qual uma virose qualquer), é uma crença cada vez comum que “não há mal algum em agir assim, pois não vejo nada de errado com a minha criança”! É triste ver que este mundo da atualidade hipervaloriza a busca pelo status social e acumulação de bens, em detrimento do amor, da construção de valores e relações afetivas e familiares mais saudáveis! É muito diferente a situação das mães/pais solteiros ou de pais que “precisam” efetivamente trabalhar para garantir o sustento e mínimas condições de sobrevivência, dessas justificativas apresentadas pelos pais de hoje! Profissionais altamente preocupados com a sua carreia e o status social! Ah!!, é claro, e também “igualmente comprometidos “com suas famílias (aparentemente tratadas, vergonhosamente, apenas um mal-necessário)! Tão perverso como mentir para o próximo é mentir para si mesmo!