Ontem só me permiti pregar os olhos quando, enfim, eu cheguei às últimas palavras do livro A Sombra do Vento. Aliás, não sei se eu me permiti ou se aquele livro me aprisionou a ele de tal forma que me levou madrugada a dentro até que, ao tocar a página final, eu pudesse fechá-lo sem a agonia de saber o que ainda haveria de acontecer. Para minha total consolação, o autor é um gênio e eu não me frustrei com o desfecho da história. Isso me faz concluir que por muito tempo perdi horas a fio com as novelas da Globo, podendo me deliciar com uma boa leitura. Infelizmente a preguiça e o hábito brasileiro de se deitar assistindo a novela das 8h (que na verdade é das 9h) me deixaram mal acostumada e, eu diria, até viciada na teledramaturgia global. Portanto, agradeço aqui ao autor de A Favorita, João Manoel Carneiro, pelo desgosto de ter começado a assistir a novela, me sensibilizar pela coitada da ex-presidiária, mãe sofrida, injustiçada, e, após isso, ele tomar a decisão de transformá-la na maníaca do parque e nos deixar com raiva de nós mesmos. Decisão: após o jornal, a televisão lá de casa é desligada. Assim, a leitura toma seu devido lugar e ganha o descanso na cabeceira da cama no lugar do controle remoto. Então, como dizia, o livro é muito bom e tem um drama que não nos deixa parar de lê-lo nem para tomar um cafezinho. Recomendo-o.
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