Saudade, tamanha saudade…

“Saudade… tamanha saudade! Estou com saudade. Saudade de Deus”. Esse pequeno trecho da música Tarde te Amei, cantada por Celina Borges, consegue revelar um sentimento vivo, porém escondido no mais profundo do meu ser. Esse fim de semana pude rever uma das pregações da Canção Nova feita pelo (inesquecível) Pe. Léo. A sabedoria de suas palavras causou em mim certa nostalgia que me fez voltar a um passado não tão distante.  Senti então uma saudade imensa de quando minha vida estava, inteiramente, nos braços do Senhor. Sei que o que vivo no presente é, sobretudo, a realização dos planos de Deus na minha vida. Meu casamento, meu filho e minha vida profissional são presentes do Pai, outrora prometidos a mim. Mas a correria que me acompanha no dia-a-dia – os afazeres de mãe, esposa, “dona de casa”, jornalista, filha – me afastou do servir. Servir este que impulsionava o meu ser e que motivava minha vida. 

Sinto saudades do “frenesi” que antecipava os cursos de evangelização, saudades das adorações que varavam madrugadas, saudades das partilhas intermináveis feitas em comunidade, saudades daqueles que a caminhada me fez conhecer e amar, saudades das pregações e, confesso, até das inúmeras reuniões. Lembro-me da minha eterna falta de tempo. A Igreja acabou por ser o meu segundo lar e estava em primeiro lugar no quesito “prioridades”. Mas, nesse período, que compreende uns dez anos, Deus cuidou de preencher a minha vida e me afastar coisas que o mundo tinha pra me oferecer.

Quantas lágrimas eu derramei aos pés do Senhor…
Em quantos dias de angústia ele foi o meu socorro…
Quantos sonhos E’le tornou realidade…
De quantos pecados me perdoou…
Quantos milagres me permitiu presenciar…
Quantas pessoas transformadas pelo Espírito Santo pude acompanhar…
Quantas misérias minhas foram lapidadas, uma a uma…
De quantas ciladas Deus me livrou…
Quantas chagas E’le curou…
Quanta felicidade a mim proporcionou…
Tudo por amor… Só por amor.

Saudade. Tamanha saudade. Estou com saudade, saudade de Deus.

Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim, e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco! Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria, se não existisse em Vós. Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte, que rompestes a minha Surdez! Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira! Exalastes Perfume: respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós. Saboreei-Vos e, agora, tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora ardo no desejo de tua paz!
Santo Agostinho

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