Ser mãe dói…

Entre muitas coisas que tenho aprendido após a maternidade é que ser mãe dói. Isso mesmo: dói. Não uma dor física, mas uma dor que não se explica. A saudade também não se explica e todos nós sentimos e sabemos o que é. Portanto, ser mãe dói. Quando o Pedro teve suspeita de Dengue, em meio a inúmeras notícias de morte caudadas por essa doença (maldita e de terceiro mundo), tive tamanho medo de perdê-lo que aprendi o significado do ditado: “Ser mãe é padecer no paraíso”. Mas não é desse episódio que eu decidi escrever.

 Antes de ontem eu e o meu esposo fomos para casa após mais um dia de trabalho. Seguimos o mesmo itinerário de sempre. Buscamos o Pedro, subimos as escadas do meu apartamento (o Alê com o Pedro e eu com as trinta sacolas que carregamos diariamente), abrimos a porta e o colocamos no berço para, apenas, trocar as roupas e guardar as mesmas inúmeras sacolas. Isso é o que nós fazemos de segunda a sexta-feira antes de levá-lo para a sala, brincarmos no chão até ele se cansar e finalizar o dia com um banho bem quentinho e a “mé” da noite. (Mé é o nome que ele associou a mamadeira). Bem… ao colocarmos no berço ele, sem uma explicação até agora plausível, consegui se jogar do berço. E não é um berço qualquer. É um berço de, mais ou menos, 1 metro e meio de altura – contando a altura das grandes. Eu e o meu marido já tentamos simular como um bebê de pouco mais de um ano conseguiu tal proeza, mas não chegamos a uma conclusão final. Isso porque a grade é alta o suficiente para protegê-lo. Então, imaginem: um baita tombo. E coloca baita nisso. E um galo de lembrança. Pelo que constatamos, o Pedro não caiu de “cara” no chão. Caiu de cabeça no chão. Ele meio que mergulhou com tudo na cerâmica lá de casa. O barulho me levou a, também, despencar para o quarto e o encontrei lá caidinho no chão, chorando. Nossa! Que cena. Após uns 20 minutos de choro, mais duas horas segurando-o para não dormir, gelo no galo, telefonemas para o pediatra e outros mais para a família, fomos nos ater para as conseqüências daquele episódio. Conclusão: mais preocupação. E isso dói. Dói não estar lá naquela fração de segundo. Dói não ter “previsto” que ele já era capaz de escalar o berço. Dói a culpa de não tê-lo livrado de uma queda que poderia ter sérias conseqüências. Afff… como dói. E quando eu o vejo com aquele machucado, parte culpa minha, dói mais ainda. Com isso, percebi, também, que todo cuidado com criança é pouco. O Pedro não fica um segundo sozinho. Não brinca sozinho. Não anda pela casa sozinho. Isso porque sabemos que tudo pode acontecer. Ele adora tomadas, quinas de móveis, objetos debaixo da cama, a banheira do banho, as gavetas da cozinha… Portanto, é impossível deixá-lo sozinho com alguma segurança. Mas vale o aprendizado, embora doa (e muito).

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