A violência está ao nosso lado

Em julho de 2004 fiz o curso Paulo, das Escolas Santo André (Nova Evangelização), no Rio de Janeiro, mais precisamente no Colégio Regina Coeli, na Tijuca. Durante os nove dias que passei no local, pude vivenciar duas realidades opostas. Ao mesmo tempo em que “mergulhava na graça de Deus” dentro da casa de retiro, com a presença de Prado Flores, um dos leigos católicos mais conhecidos no mundo por sua ação evangelizadora, eu pude viver o medo da violência do Rio de Janeiro, ao dormir ao som dos fogos de artifício, somados a muitos tiros de armas pesadas, disparados logo em frente, no morro do Borel. Numa das noites, lembro-me que era dia de jogo de futebol: Brasil X México. O Brasil goleou o México por 4 x 0. A comemoração no morro foi a base de tiro. Muito tiro. Alguns amigos que fiz lá, acostumados à realidade da cidade, riam de mim e de cursistas que moravam em outras cidades, ao dizer que aquilo fazia parte da rotina de quem vive no Rio. O nosso medo, portanto, era motivo de chacota, já que “ouvir tiros” virara natural para eles. Isso me assustou. Aqui em Brasília, eu não durmo ao som de tiros e, inclusive, eu não sei reconhecê-los. Quatro anos se passaram. E hoje eu presenciei uma cena que revela, de fato, que não há mais lugar seguro pra se morar. Brasília não está mais tão distante da realidade do Rio.

Na hora do almoço fui deixar meu esposo na academia, perto de onde moramos, como de costume. Quando estacionei, vimos grande movimentação e um carro do Corpo de Bombeiros. Pensamos que alguém havia passado mal na academia, motivo que levaria os bombeiros ao local. Nada disso. Doce inocência. Ali havia um rapaz agonizando no chão. Segundo testemunhas, em plena luz do sol, minutos antes, ele havia sido alvo de vários tiros. O ocorrido fez com que os freqüentadores da academia tivessem que se jogar no chão para não serem também vítimas do assassino. Meu marido ainda presenciou o rapaz parando de respirar e, em seguida, ser coberto com o costumeiro pano branco. Estou, até agora, extasiada com o acontecido. Isso porque a academia fica a passos de onde eu moro. Portanto, que segurança eu tenho em ir à padaria, por exemplo? Ou mesmo como posso levar o Pedro pra tomar um sol na pracinha? E se meu marido tivesse chegado 10 minutos antes, que perigo ele corria?  Os crimes ocorriam outrora durante a noite. Hoje eles acontecem com sol a pino. Meu Senhor e Meu Deus. Em que mundo vivemos? Será que terei que conviver com a violência como algo normal da sociedade? Confesso estar assustada. Afinal, eu achava que morava em um lugar tranqüilo. Resta-me, então, fazer a Deus a mesma oração feita por Jesus pelos discípulos, antes de ir ao Pai. Senhor, não peço que nos tire do mundo, mas preserve a mim e a toda minha família do mal.  (Jo 17,15)

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Uma resposta to “A violência está ao nosso lado”

  1. Lais Says:

    Oi Suzana, fico muito feliz de você ter gostado do meu blog, comecei ontem. Bom o meu Mateus tem 1 ano e dois meses, ele nasceu 14/05/2007. Você mora em Brasilia? aonde? Vi tambem que você é jornalista certo? Estou doida para fazer faculdade de jornalismo!
    um grande beijo!

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