Amamentar: um ato de amor

(Antes de continuar a contar a história, vale ressaltar, que amamentar é, acima de tudo, um ato de amor. Somente o leite materno contém todos os nutrientes necessários para um bebê, na dose certa,além de prevenir várias doenças.)

No último post sobre a saga de ser uma mãe de primeira viagem contei que, aos dois dias de vida, o Pedro teve uma febre muito alta devido a baixa ingestão – ele não mamava o suficiente. Após um dia vivendo o calvário com duas visitas a pediatras distintos, foi a enfermeira do berçário que descobriu o que o pimpolho tinha: ele estava com fome, muita fome.

Como contei, depois de uma massagem extremamente dolorosa para desempedrar meus seios, o Pedro mamou por longos 40 minutos, o que não havia acontecido até então. Fomos, novamente, para casa. No entanto, ao sair do hospital, as inseguranças e os medos vieram juntos. Lembro-me que a minha mãe subiu comigo e me perguntou se queria que ela dormisse lá. É claro que eu queria. Afinal, ela era o meu porto seguro. Mas eu disse que não era necessário e que ela poderia voltar. Então, quando o Alê virou a esquina com ela no carro eu, mais uma vez, desabei a chorar. Naquele momento, de frente para o Pedro, eu pedi, clamei, implorei a Deus que me desse condições de cuidar do meu filho. E que, se preciso fosse, retirasse a minha vida, mas não a dele – eu já o amava mais do que a mim mesma.

Meu marido voltou, ficamos ali com o Pedro e esperávamos descansar naquela noite. A noite de quinta-feira havia sido a minha última noite de sono. E já estamos na segunda-feira. Nos deitamos, mas toda agitação do dia e a dor insuportável nos meus seios não me deixaram dormir. Rolei na cama até às 2h da manhã. Foi quando resolvi sentar e rezar o terço. Mas percebi que eu não conseguia dar continuidade na oração. Neste momento de angústia, eu me lembrei de uma frase que eu sempre ouvi na Igreja: “Não há ninguém no mundo que tenha pedido com fé a Maria que não tenha sido atendido”. Maria é a mãe do meu Senhor. E ela sabia do que eu estava passando. Então, eu comecei a pedir socorro, socorro, socorro. Repeti essa única palavra inúmeras vezes. Talvez tenha sido a oração mais sincera que eu já tenha feito, afinal, meu coração desesperado estava.  Ali, como em poucas vezes na minha vida, eu ouvi claramente a resposta de Deus. E, como um sopro ao meu ouvido, eu ouvi: “- Suzana. Levanta-te e reage. Senão, não conseguirás cuidar do seu filho”. E era verdade. Se eu não mudasse o meu semblante e não reagisse imediatamente, provavelmente eu teria tido uma depressão pós-parto terrível. No mesmo instante, lembrei-me que a enfermeira havia dito que eu precisava fazer massagens nos seios sempre nos intervalos de amamentação do Pedro para que ele conseguisse sugar com mais facilidade. Levantei-me e fui pra sala.

Ainda rezando, passei uns 50 minutos massageando os seios, recolhendo cada gota de  leite. Por volta das 3h da madrugada, o Alê levantou da cama, dando por minha falta, e me encontrou na sala. Expliquei o que havia acontecido. Naquela mesma hora o Pedro acordou. Meu marido e eu o levamos para seu quarto e eu me sentei na cadeira de amamentação e, pela primeira vez, o Pedro abocanhou corretamente meus seios, sem a ajuda de terceiros, mamando como um bezerrinho. Essa era a resposta de Deus para mim.

No dia seguinte eu era outra pessoa. Mais tranqüila, mais contente, mais segura de mim. Minha mãe chegou logo cedo e já notou a diferença. A partir dali, a amamentação se tornou mais uma história de amor para com o meu filho. Amamentar me fez mais íntima do Pedro e fez com que eu transmitisse todo amor para ele naquele ato. E, mesmo em meio a muitas críticas, o Pedro mamou até um ano de idade, deixando de mamar por si só.

(Ops… Não posso deixar de dizer que se não fosse meu marido que com muito amor e carinho passou a primeira semana massageando meus seios e retirando o leite de hora em hora – já que eles estavam totalmente empedrados – também não teria conseguido amamentar. Um ato de amor tmb do maridão.)

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10 Respostas to “Amamentar: um ato de amor”

  1. Elton Says:

    ahahah
    Quer furar minha matéria é?

  2. Samantha Says:

    Oi Suzy, sabe que eu realmente achava que era super fácil amamentar, que todo mundo fazia isso e coisa e tal e que eu não teria nenhuma dificuldade para amamentar o Théo quando ele nascesse? Que engano!
    Mas esse pensamento me serviu para pensar positivo que eu conseguiria sim, apesar da dificuldade dos primeiros dias. Ninguém me avisou que o leite não vêm imediatamente quando o filhote nasce. Apesar dele querer mamar imediatamente… Então o Théo nasceu à tarde. E eu logo que ele veio pro quarto tentei dar mamá pra ele. Mas Kd a facilidade? Ele ficava lá com bocão aberto, eu colocava o peito na boca dele e nada. Ele não conseguia nem segurar meu peito com a boca, eu não tinha bico, então ele tentava, mas o peito escorregava. A enfermeira apertava e doííía. E nada de sair leite, e nada do bico “aparecer”. kd a cena de comercial que o neném mama feliz a mamãe sorri olhando pra ele???
    A enfermeira mandou a gente comprar um bico intermediario de silicone. Isso já no dia 01/01, feriado, a unica farmacia aberta que entregava na maternidade, entregou um bico de mamadeira!!! Lá foi meu marido sair por aí atrás do tal bico de silicone para o Theo conseguir mamar. Mas meu anjinho não chorava de fome, ele parecia feliz, dorminhoco e bem alimentado. Mas quando eu o pegava no colo ele abria o bocão. E eu continuava as tentativas acreditando que conseguiria. Depois que chegou o bico verdadeiro, Théo mamou… só colostro, e tãããoo pouco. Fiquei decepcionada. Ele tomou uns mls de nan na maternidade.
    Mas com o apoio das enfermeiras, do meu marido e meu pensamento positivo de que sou mãe, sou capaz, e Deus não daria jugo maior do que eu poderia suportar. No dia 02 Théo já mamava meu leite, com a ajuda do bico, mas mamava bastante! Se a gente não reagir, acreditar e tentar…quem vai fazer isso pela gente e pelos nossos filhos?

  3. Márcia Lefouet Says:

    Suzy, o povo costuma ter medo do parto, mas eu já estou ligada q o grande tchan nos primeiros dias de mãe é conseguir dar de mamar. tenho um pouco de receio, mas relatos como o seu me fazem ter a certeza de q, acima de tudo, é a minha força de vontade o fator determinante no êxito dessa jornada “peital”.
    Beijos!

  4. Kelly Says:

    Aaaaamo historias de Amamentação, pois adoro de todo coração amamentar meu pimpolho… Tbm tenho um relato sobre quão dificil é no inicio, mas como é maravilhoso com o passar do tempo. Meu pequeno faz 1 anos no proximo domingo e ainda mama com vontade. Devido à muitas criticas já recebidas pensei em tentar tirar o peito dele, mas esse pensamento foi embora bem rapido, pq no fundo essa atitude não me faria feliz e nem ao meu filho. Acho que tudo tem seu tempo, e o do Matheus vai chegar.
    Amei a sua historia… Fique com Deus
    Muiiiitas beijocas pra vcs

    Kelly

  5. Rêh Says:

    Acho lindoo quem amamenta mais do que o tempo necessário. É realmente um ato de amor. Por isso amamentei a Bel por 1 ano e 8 meses e o Biel continua mamando!!! E vou amamentá-lo por algum tempo ainda!!! Amo vc.

  6. Denise Says:

    Olá Suzy,

    amamentar é um dos atos mais divinos que existe, sem dúvidas!

    Fico feliz que você tenha percebido a resposta de Deus, aliás, que você tenha sabido ouvir… És uma abençoada mulher!!!

    Grande beijo,

  7. Giovana Says:

    Suzy, como sempre, um relato maravilhoso e emocionante!
    Parabéns! Que maravilha!
    E que sorte tem os seu “bezerrinho” em ter uma mamãe como você!
    Beijos, e fiquem com Deus sempre!

  8. Dany Says:

    Amiga, lendo o seu post fiz uma reflexão da minha situação diante de uma bebezinha faminta. Com certeza faltou a mim a fé que vc teve naquele momento angustiante. Tive a oportunidade de amamentar a minha filhota por 20 dias. Ainda assim com o santo Nan em alguns intervalos, quando o meu leite não era suficiente. Também fiquei com o peito empedrado, com febre e muita dor, mas não tive a sabedoria divina. Senti-me impotente diante daquela situação. Só sabia chorar, fato que me levou a um princípio de depressão pós-parto. Nesse momento, acordei para a vida e vi uma luz no fim do túnel. Ou eu me erguia ou não seria capaz de cuidar daquele ser indefeso e dependente do meu amor e do meu carinho. Naquele momento, me conformei com a situação de “amamentar” com o leite Nan. Não saia de mim, mas o amor que eu dava aquela mamadeira e, dou até hoje, com certeza é o mesmo que o de uma mãe com a criança em seu seio.
    Bjks
    Amo vc!
    Dany

  9. Claudia Says:

    Oi Su,
    Eu não tive problemas quanto a Letícia abocanhar o peito, ela sabia o que estava fazendo…
    Mas eu tive dores horríveis…
    Cada vez que chegava o momento dela mamar no peito direito era um martírio, mas mesmo assim eu coloca ela para mamar.
    Enquanto ela mamava as lágrimas corriam de dor, doia de mais, mas eu respirava fundo, olhava para seu rostinho lindo e dizia “Eu te amo muito filha, muito mesmo”
    E ela mamava, mamava demais e isso só piorava a situação, comecei a sentir o mesmo no outro seio…
    Mas eu persistia… não queria deixar de amamentar a minha filha, sabia o quanto isso era importante para ela, para a sua saúde… mas muito mais importante para mim!
    Aos poucos a dor foi passando e tudo foi ficando maravilhoso.
    A Letícia acabou de completar 1 ano e ainda mama. Quando eu a pego na escolinha ela já bate nos meus seios olha pra mim e diz “Nene”.
    Esse é nosso ponto de encontro…
    Ela sente prazer em mamar e eu mais ainda em poder oferecer isso à ela!!!
    E ela vai mamar o quanto quiser, por quanto tempo for necessário!!!
    Beijos
    Cláudia

  10. ELisabete Sá Says:

    Caras Amigas,
    na minha opinião, hoje, fazem da amamentação um drama, quando o bebé não pega na mama da mãe.
    Não é por se dar peito que se ama mais um filho.
    Quem amamenta a biberão também ama seus filhos.
    É triste chegar à conclusão que as mães de agora, na maioria já com idade de mais (velhas) para terem o primeiro filho, fiquem frustradas e por vezes entrem em depressão.
    A “moda” agora é dar de mamar peito… leite meterno previne doenças, bá…bá…bá. Tretas!!!!
    Quantas crianças há que mamam até ao ano e são doentes, tais como as que não mamam?????
    Deixem-se de tolices… Estou farta de ouvir disparates.

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