Amar: muito mais que um sentimento, uma decisão

Com a minha caminhada na Igreja, eu já havia ouvido muitas vezes que amar é muito mais do que sentir, amar é agir. Deparei-me com o conceito do amor ágape novamente nesta semana, ao iniciar a leitura de um livro que há tempos já queria ter lido: O monge e o executivo. Um livro simples, com narrativa fácil de ler, mas que traz em si tesouros de grande valor.

Em determinada parte da história, o monge discorre sobre a diferença entre o amor eros, sustentando apenas no sentimento, e o amor ágape, incondicional, que se reflete no comportamento para com os outros, sem exigir nada em troca.  Os sentimentos de amor talvez possam ser a linguagem do amor ou a expressão do amor, mas esses sentimentos não são o que o amor, de fato, é. Na realidade, o amor é o que o amor faz.

Mas, infelizmente, vivemos em um mundo em que o amor se esvazia em si mesmo, não há comprometimento com o outro. Se não queremos o bebê, abortamos, se não queremos o cônjuge, nos divorciamos, se não queremos o vovô, praticamos eutanásia. Vivemos em uma sociedade descartável. Amar na atualidade se resumiu ao tempo fugaz em que as pessoas permanecem apaixonadas umas pelas outras. Quantos casais eu conheço que se separaram por acharem que não se amam mais? É ilusão achar que o casamento se sustentará em sentimentos. É a casa construída sobre a areia. Virão os ventos e ela desabará. Amar é uma decisão. É decidir morrer pelo outro. É quer todo o bem do outro antes de querer bem a mim mesmo.

Amar o outro exige de nós comportamentos. E comportamentos são ações, não sentimentos. A leitura bíblica do 13º capítulo da Carta aos Coríntios (I Cor 13) explica quais são os “comportamentos” de quem ama. Amar é ser paciente e mostrar autocontrole diante das situações adversas. Amar é ser bondoso, dar atenção, apreciar e incentivar aquele que amamos. Amar é ser humilde e ser humilde é ser autêntico com os outros. Amar é, sobretudo, respeitar o outro, tratando-o como pessoa importante que é. Amar é se abnegar pelo outro, satisfazendo as necessidades que ele por ventura tenha, sabendo que o oposto desse comportamento é o egoísmo, quando olhamos para o nosso próprio umbigo. Amar é ter a grande dádiva do perdão. E perdoar nada mais é do que desistir de ressentimento quando prejudicado. Amar é ser honesto. Amar é se comprometer com o outro ao ponto de se permitir crescer e se aperfeiçoar diante dele. Contudo, comprometer-se exige entrega, sacrifício, doação…

Portanto, diante desses comportamentos, podemos definir que amar é uma decisão, não um sentimento que vai e vem de acordo com os acontecimentos do dia a dia. Decida-se em amar.

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4 Respostas to “Amar: muito mais que um sentimento, uma decisão”

  1. Paizinho Says:

    Falar de amor é falar de Deus, origem única do amor. Como você disse o amor é aquilo que o amor faz. E que maravilhar o Amor fez, não é mesmo? é só olhar para a sua criação e veremos quão maravilhoso é o Amor.

  2. Samantha Says:

    Hum.. obrigada pelas suas palavras, me fizeram refletir bastante… Não conhecia essa definição dos comportamentos de quem ama… Mas faz todo sentido.
    Fico chateadíssima quando alguém me fala dessas “coisas descartáveis” hoje em dia. Pois eu sofro muito em perder pessoas que eu amo.
    Hoje mesmo, minha prima grávida, foi numa obtetra nova para começar o pre natal, ela perguntou antes de tudo , se minha prima ia “levar a gravidez adiante” …
    Um absurdo!

  3. paizinho Says:

    Lendo as palavras de Paulo na ótica moderna, logo surge uma dificuldade diante dos olhos. Paulo recomenda ao marido para “amar” a sua mulher (e deve ser assim), mas em seguida recomenda à mulher para que seja “submissa” ao marido, e isto, numa sociedade fortemente (e justamente) consciente da paridade dos sexos, parece inaceitável. É verdade, de fato. Nesse aspecto são Paulo é, ao menos em parte, condicionado pela mentalidade de sua época. A solução, todavia, não está em eliminar das relações marido e mulher a palavra “submissão”, e sim em torná-la recíproca, como recíproco deve ser o amor. Em outras palavras, não só o marido tem de amar a mulher, mas também a mulher deve amar o marido; não só a mulher tem de ser submissa ao marido, mas o marido também deve ser submisso à mulher. Amor recíproco e submissão recíproca. Olhando bem, no entanto, é exatamente a exortação com que começa o nosso texto: “Vós que temeis a Cristo, submetei-vos uns aos outros”. A submissão, então, é apenas um aspecto e uma exigência do amor. Para quem ama, submeter-se ao objeto do seu amor não humilha, antes, faz feliz. Submeter-se significa, nesse caso, levar em conta a vontade do cônjuge, o seu parecer e a sua sensibilidade; dialogar, não decidir sozinho; saber, às vezes, renunciar ao próprio ponto de vista. Em suma, lembrar-se de que são “cônjuges”, ou seja, ao pé da letra, pessoas que estão sob “o mesmo jugo” livremente escolhido. (Frei Raniero Cantelamessa)

  4. marilia Says:

    Eu mesma tenho uma grande dúvida sobre esse assunto…eu queria saber realmente o q é o amor…é um sentimento ou uma decisão? muistas pessoas me falam que é um sentimento,ja outras me falam que é uma decisão….eu realmente tô confusa…Mas gostei muito dessas palavras….

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