Na hora de sermos pais, pagamos a língua mesmo!

Antes de nos tornarmos pais, sempre julgamos as atitudes daqueles que já têm filhos, e acabamos por montar uma lista de coisas que faremos e outra do que não faremos quando estivermos na mesma situação. Pura balela! Impossível programar como agir em determinadas situações quando o assunto é filho. Além disso, pagamos a língua dos nossos julgamentos, e acabamos por cometer os mesmos atos e até erros daqueles que eram os nossos réus.

Enquanto eu não era mãe, me julgava a tia mais cheia de virtudes. E, pretensiosamente, achava que não faria nada de errado com os meus filhos, uma vez que eu já era tia de dois sobrinhos e tinha três irmãs pequenas – experiência suficiente para definir o que eu faria quando me tornasse mãe. A minha lista era, mais ou menos, assim:

1 – filho meu não dorme na cama dos pais;

2 – acostumarei meu filho com chupetas, para que ele não faça dos meus peitos chupetas!;

3 – filho meu não corre durante as missas;

Entre muitas outras regras que eu havia criado para ser uma mãe exemplar.

É claro que eu paguei a língua! Sempre achei uma invasão de privacidade uma criança dormir no meio de adultos. E a intimidade do casal? E o sono dos pais? … Esses eram meus julgamentos.

Pedrinho sempre dormiu no meu quarto porque tínhamos medo da chamada “morte do sono” ou “morte súbita”, quando a criança engasga enquanto dorme. Pedrinho também tinha frenquentes doenças respiratórias. Daí o mantínhamos em um berçinho ao lado da cama. Até aí, tudo bem! Nada que saísse do meu script. Contudo, com um ano e dois meses de idade, meu filhote caiu do berço. Foi um baita tombo em um segundo de distração. Ele se machucou e, como não queríamos que o fato se repetisse, o colocamos para dormir conosco. Três meses depois ele já sabia subir e descer da cama. Transformamos o berço em mini cama e passamos ele para dormir lá (ainda no nosso quarto). Na mesma semana, Pedrinho caiu também da caminha e se machucou ao bater a cabecinha no chão. Conclusão: hoje, com dois aninhos de idade, ele continua a dormir conosco. E o pior: agora ele tem vontade e, por isso, tem sido um sacrifício passá-lo para o quartinho dele. Eu continuo não gostando da situação, mas aceitando-a.

Antes do Pedro nascer, eu dizia taxativamente que o Pedro ia chupar chupeta. Não queria ele pendurando em meus peitos para dormir, por exemplo. Puro desconhecimento da minha parte. Bastou o Pedro ter dificuldades para mamar nos primeiros dias de vida que o pavor de não conseguir amamentar mudou, imediatamente, meu pensamento. A chupeta confunde o bebê e eu não queria dificultar mais ainda meu filhote. Conclusão: Pedrinho NUNCA chupou chupeta!

Eu sempre achei feio crianças correndo nas missas. (Ainda acho!) Mas hoje eu entendo muitas mães e pais que ficam angustiados durante as celebrações e em muitas ocasiões. Pedrinho nunca foi uma criança mal educada, mas sempre foi muito ativo. Depois que aprendeu a engatinhar, nunca mais quis colo de adultos. Passei um ano me aborrecendo em muitos lugares e recusando uma porção de convites para não me aborrecer mais ainda. Hoje ele está maiozinho e já fica quieto nas celebrações, por exemplo. Mas continua sendo criança e com necessidades e desejos de criança.

Assim, eu aprendi a olhar de uma forma mais compreensiva o que muitos pais passam. Adultos que não passaram por essas situações acham que as crianças dos outros são choronas, muito ativas, e mal educadas mesmo. Mas nem sempre é questão de educação. Choro muitas vezes pode ser sono, fome, cansaço e não birra. Correr, pular, brincar é sinal de saúde e fase… Há um tempo para cada coisa.

 Só continuo na opinião que criança não deve ficar sozinha em lugar nenhum. A supervisão full time dos pais é indispensável, justamente porque criança é criança. Assim, muitos inconvenientes e, inclusive, muitos acidentes são evitados.

Portanto, fica aqui a ressalva. Não dá pra fazer uma lista de regras a serem seguidas quando ainda não se é mãe ou pai. É vivendo que erramos e acertamos. Crianças mudam nossas vidas e nossos conceitos. Pagamos a língua mesmo!!!

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6 Respostas to “Na hora de sermos pais, pagamos a língua mesmo!”

  1. Samantha Says:

    hahahah é verdade amiga Suzy! Mas sabe que com a “experiência” de ser tia, já consegui educar o Théo de forma a não fazer certas coisas que eu achava horrível nos sobrinhos???
    Algumas coisas não têm jeito mesmo! Mas outras dá pra gente tentar educar…
    Beijo
    Sam

  2. Paizinho Says:

    Olha só quem fala… você, por acaso, não adorava dormir agarradinha com o paizinho? Quando ele crescer você vai reclamar da liberdade que ele vai exigir. Curte agora, um dia você vai ser SOGRA, já pensou nisso??? vai aparecer uma gatinha linda que ocupará o coração dele !!! rsrsrsrs. Calma ainda tem muito tempo pela frente. Bjs. Te amo

  3. Denise Azevedo Says:

    Olá Suzy!!!

    Quanto tempo, estava com saudades do seu cantinho… rs.

    Tenho de concordar, acredito que todos os pais pagam com a lingua, sim. Eu como tia, prima, madrinha, pensava e julgava de muitas formas o comportamento e atitudes dos pais para com seus filhos, confesso. Mas só quando a gente passa por essas experiências é que vemos como as coisas realmente são. Algumas coisas eu consegui corrigir, por conta da pimeira experiência, apesar de não ser igual, a gente consegue estabelecer algumas coisas, e as coisas parecem mais fáceis… Hehehehe.

    Gostei do post!

    Beijinhos,

  4. Rêh Says:

    Hehe, falou tudo. Parece que tudo o que reparamos em outras crianças, nossos filhos fazem. Pura provação!!! Rss. Mas meu Pedrinho é lindo e a titia o ama muito. Ah, estou com saudades, irmã desnaturada!!!!

  5. Kelly Says:

    Que texto maravilhoso ! (rsrsrs) Vc lê pensamentos tbm ???
    Parece que eu estava lendo as minhas proprias ideias e convicções. kkkkk
    Ser mãe realmente muda tuuuuuuudo ! (rs)

    Beijocas

  6. Luciana Pierre Says:

    Amei este texto. Realmente é verdade tudo isso!!! Meu bebê tem apenas 6 meses e já vivo algumas situações semelhantes “pagando a lingua” hehehe e hj tb entendo e respeito muito mais as mães em geral.
    Fiquem com Deus!

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