I’m in London!

Eu que nunca havia sequer pensado em cruzar as fronteiras do Brasil por qualquer razão de seja, incluindo viagens a passeio, desembarquei, no último domingo, no aeroporto internacional de Londres, Heathrow, mais precisamente no terminal 1. Isso mesmo. Amanhã faz uma semana que estou numa das cidades mais lindas e cobiçadas da Europa, criadas às margens do Rio Tâmisa, que passa aqui aos fundos do Hotel Hilton Canary Wharf, inclusive.

Adoro viajar. Quem não gosta? Mas amo meu País e todos os anos planejo uma boa viagem pros mais belos cartões postais nacionais, locais onde encontro tranqüilidade, natureza e tudo o que é necessário pra esfriar a cabeça e recarregar a bateria.

Tenho feito viagens a trabalho pra cobrir eventos. Do Sul ao Nordeste brasileiro, se precisam de jornalista da instituição em que trabalho, estou lá. Mas desta vez foi diferente. Primeiro minha chefa pediu-me para que eu providenciasse meu passaporte. Ok. Obedeço ordens e mesmo sabendo que eu ia jogar pela janela os R$ 156,00 que a Polícia Federal cobra pra fazer o documento, fiz meu pedido e agendei a visita ao Na Hora de Brasília. Não havia a menor possibilidade de que hoje, por exemplo, eu estivesse escrevendo este relato direto de Londres. Jamais um jornalista do local onde trabalho fez uma viagem ao exterior. É caro e o motivo tem que ser bem plausível pra isso acontecer.

Fiquei tranqüila e esqueci o ocorrido. Aqui em Londres, acontece a maior competição de educação profissional do mundo, o WorldSkills. Cerca de mil jovens estudantes de cursos técnicos profissionalizantes de 51 países do mundo inteiro estão, no ExCel London, fazendo provas que simulam o dia a dia do trabalho. O fato é que o DF tem dois representantes e o Brasil trouxe uma delegação composta por 28 alunos. Este motivo tornou-se plausível.

Batalhei mídia espontânea como faço em todos os eventos que acontecem em minha empresa. Afinal, sou assessora de imprensa e esse é o meu papel. Como o assunto tem apelo de pauta, a mídia local comprou e eu consegui emplacar muitas matérias nos maiores jornais da cidade, incluindo até TV. A boa repercussão, portanto, me rendeu o primeiro carimbo no meu passaporte. Passaporte este que tive de correr pra fazer.

Tive grandes obstáculos pra chegar até aqui. O agendamento do meu passaporte estava marcado para uma data inviável, daí tive que implorar pra ser atendida no Na Hora; A greve dos Correios poderia prejudicar a data de chegada do documento; perdi meu cartão de vacinação contra febre amarela (geralmente solicitado nas viagens internacionais); e diversos outros contratempos que tive na preparação da viagem. Mas o pior deles eu sabia desde o dia que minha chefa disse que a viagem havia sido autorizada: a falta do inglês.

Fiz inglês há alguns anos. Engravidei, larguei o curso e, como não uso esta língua pra nada, voltar a cursar inglês ficou em segundo plano. Ser profissional, esposa, mãe, mulher, filha, amiga… toma muito tempo e eu não estava preocupada em saber falar outro idioma com fluência. Passei uma semana sem dormir. O fato é que eu viria sozinha, pra um País desconhecido, pra um hotel desconhecido, pra cobrir o evento num local desconhecido.

Quando eu recebi o ticket da viagem e a reserva do hotel eu arrepiei dos pés à cabeça. Fui para casa, comprei um vinho e chorei amargamente, deitada no colo do meu marido, por não ter me dedicado ao inglês. Como eu ia me virar na Inglaterra sozinha e sem poder me comunicar. Acabei por mobilizar Deus e o mundo ao meu favor. Meu marido e meu pai foram os primeiros a me socorrer. Meu pai logo me arranjou um curso denominado Travel, na Wizard, e eu fiz esse intensivão em uma semana e meia, duas horas de aula por dia. O Alê descobriu o telefone de uma prima que mora há seis anos em Londres, ligou pra ela e pediu, encarecidamente, que ela me apresentasse a cidade. Além disso, colocou o mapa das linhas do metro no meu celular, me ajudou a comprar livros de bolso de inglês para viagens, entrou no Google diversas vezes comigo pra mostrar o caminho do metro pro local do evento, etc, etc e tal.

Assim as coisas foram se arrumado. Uma a uma as providências de Deus foram acontecendo. Rezei ininterruptamente. Clamei a Deus misericórdia. E ele ouviu cada um dos meus pedidos. Sou medrosa, Deus sabe disso. Quando solteira, só viajei com os meus pais. Casada, meu marido resolve tudo. Somente no trabalho, tenho viajado só, mas com transporte, comida e tudo mais providenciado. Desta vez tudo era por minha conta e Deus foi, de fato, meu pastor.

Quatro dias antes de embarcar a minha chefa consegue enviar, também, um dos nossos publicitários, meu colega de trabalho Rafael, que fala inglês fluentemente, e que já havia estado em Londres. Tudo ficou mais fácil.

Viemos no domingo passado (2/10), enfrentamos duas horas de voo até São Paulo e mais 12 horas pra Londres. Passamos pela imigração – um dos meus maiores medos – e cada um seguiu pro seu hotel. Cheguei morta de fome. Eu precisava comer. Saí na noite escura de Londres, sozinha, quando avistei um Subway. Quase chorei. Estava em casa. Ao lado do Subway, há um minimercado que tem me ajudado e muito nesses dias. A libra custa R$3,20 e eu não tenho jantado todos os dias. Não vou gastar dinheiro com comida, definitivamente.

No dia seguinte, fui ao ExCel London. Lá, nos credenciamos, visitamos o local de competições, e seguimos cada qual para o seu hotel. De noite foi a abertura do evento, na arena O2 – local em que seria o show do Michel Jackson se ele não tivesse falecido. A primeira noite foi o suficiente para eu me perder do Rafael, ter que andar pela primeira vez de metrô e me perder da estação para o Hotel Hilton. Nessas horas, sinto Deus quase que ao meu lado. “Excuse-me”, “Helpe-me”, “I’m lost!”, “I need to go to the Hilton Hotel”… e assim, de um em um fui conseguindo me encontrar. Mas sempre na certeza de que Deus estava ali, comigo, a me guiar.

Aprendi a andar de metrô – que é muito eficiente por sua vez, e fui me virando dia após dia nesta linda cidade inglesa. A cobertura do evento foi muito bacana. As provas acabaram hoje e, por isso, aproveitei pra conhecer um pouco da cidade no período da tarde. Minha guia foi a prima do meu marido que mora aqui. Naiara, aliás, é um doce de menina e me mostrou muito mais do que eu imaginava conhecer em Londres.

Fui a pontos turísticos, como a London Eye, ao Big Ben, ao centro da cidade, ao parque de Greenwich, a milhões de lojas, entrei num salão preparado para um membro da família real, almocei numa bela cantina italiana… Como é linda essa cidade. O vento gelado, as pessoas com passos largos, o sob e desce no metrô e lindos parques arborizados com as folhas de outono no chão.

Amanhã, irei à igreja de St. Patrick. Achei uma igreja católica em Londres. Mas não foi fácil. E como domingo é dia de preceito, preciso ir à missa. Depois, o passeio continua com a guia Naiara. À noite é a cerimônia de encerramento do WorldSkills, o trabalho acaba por aqui e, dependendo do desempenho dos alunos do DF, o trabalho continua em Brasília.

Segunda à noite é dia de embarcar rumo ao Brasil, rever marido, filho e familiares e, se Deus quiser e assim me permitir, comer um belo prato de arroz com feijão, que eu estou morrendo de saudade do meu País e da maravilhosa culinária brasileira!

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2 Respostas to “I’m in London!”

  1. patrickselvatti Says:

    Que orgulho, amiga!!! Sei bem como essa sensacao se manifesta. E ate arrepiei em constatar que pude te ajudar a realizar essa aventura tao imprevista, assim como o Elton fez comigo dois anos atras e ca estou, ja tendo sete paises registrados em meu passaporte. Um beijao e aproveite cada oportunidade dessa linda cidade!

    P.S.: Tire foto na igreja de St Patrick por mim. E nao esqueca das minhas encomendas, ok? hahahahahahahahaha

  2. maria Says:

    ooi,gostei mt do seu blog !Parabéns !
    Q mal te perguntes,quanto saí o custo total p/ uma viajem em Londres ?
    bjs

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