Arcebispo emérito de Brasília Dom João Braz de Aviz é criado Cardeal pelo Papa

Caros,

Confiram minha matéria publicada na última edição da Revista Brasília Católica, acerca do cardinalato de Dom João Braz de Aviz, ocorrido em Roma, em fevereiro passado.

Por Suzana Leite

Cidade do Vaticano – Exatamente às 11h15 da manhã (horário de Roma), do dia 18 de fevereiro, quando soavam os sinos da Basílica de São Pedro, o brasileiro Dom João Braz de Aviz (64) foi criado Cardeal pelo Papa Bento XVI. Neste momento, durante Consistório Ordinário Público, o Arcebispo emérito de Brasília proferiu juramento de fidelidade e obediência ao Santo Padre e a seus sucessores e recebeu os sinais cardinalícios das mãos do Sumo Pontífice. Primeiramente, o Papa impôs o barrete purpurado sobre a cabeça do novo Cardeal. Em seguida, colocou em sua mão direita o anel cardinalício. Por fim, designou-lhe o título de diaconia. Naquela manhã de céu azul, a Igreja Católica Apostólica Romana acabara de ganhar, juntamente com Dom João, 22 novos cardeais, considerados “Príncipes da Igreja”.

O Consistório atraiu pessoas de toda a terra, de todos os povos, de todas as línguas. A Basílica de São Pedro, que tem capacidade para comportar 60 mil pessoas, ficou pequena para tantos fiéis e aquelas que não tiveram acesso ao interior da basílica buscaram a Praça de São Pedro que, por sua vez, também ficou repleta dos que observavam a cerimônia transmitida pelos telões instalados no local.

As insígnias recebidas pelos cardeais foram criadas em 1245 pelo Papa Inocêncio IV. O anel cardinalício é símbolo da fidelidade ao governo pontifício da Igreja. Os 22 novos anéis entregues neste consistório continham a representação de São Pedro e São Paulo e, no centro, uma estrela que evoca Nossa Senhora. A respeito do anel, disse o Papa Bento XVI, na ocasião: “Trazendo este anel, sois convidados diariamente a recordar o testemunho de Cristo que os dois Apóstolos deram até ao seu martírio aqui em Roma, tornando assim fecunda a Igreja com o seu sangue. Por sua vez a evocação da Virgem Maria constituirá para vós um convite incessante a seguir àquela que permaneceu firme na fé e serva humilde do Senhor”.

Já o chapéu vermelho, ou barrete purpurado, é símbolo do poder sagrado de servir ao Papa. A entrega do barrete foi precedida da seguinte oração: “Para a maior glória de Deus onipotente e o bem da Santa Sé, aceita este barrete púrpura, insígnia singular da dignidade cardinalícia pela qual e até á morte, mesmo que na efusão do sangue, com intrépido vigor defenderás a fé, promoverás a paz e o bem do povo cristão e promoverás a liberdade e a expansão da Santa Igreja Romana. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

 Ainda na oportunidade, Dom João recebeu o título de Cardeal-diácono de Santa Helena fora da Porta Prenestina. Os títulos cardinalícios concedidos aos novos cardeais são igrejas da diocese de Roma, cujo nome e propriedade estão ligados a um cardeal no momento da sua criação. Além disso, o brasão de armas de Dom João reitera o lema de seu episcopado: “Para que todos sejam um” (Jo 17,21).

Um cardeal é um alto dignitário da Igreja, que assiste o Papa em diversas competências. Segundo Dom João, sua missão agora é estar muito mais perto de Pedro, perto do Papa. “Ajudá-lo naquelas coisas que são de toda a Igreja. No meu caso, seguir mais de perto os consagrados e as consagradas”. O Cardeal se refere à sua missão à frente da Prefeitura da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Esta Prefeitura ocupa-se de tudo o que pertence aos Institutos de Vida Consagrada (Ordens e Congregações religiosas, sejam masculinas, sejam femininas, Institutos seculares) e as Sociedades de Vida apostólica, no que diz respeito ao regime, disciplina, estudos, bens, direitos e privilégios. A sua competência estende-se a todos os aspectos da vida consagrada: vida cristã, vida religiosa, vida clerical; é de caráter pessoal; não tem limites territoriais; alguns determinados assuntos de seus membros, porém, são repostos à competência de outras Congregações. Na tarde do mesmo dia do Consistório, os novos cardeais receberam os cumprimentos de diversas autoridades civis e eclesiais, familiares, amigos e leigos do mundo inteiro. Como integrante dos de um dos institutos acompanhado pelo Dom João Braz, esteve presente o fundador da Comunidade Católica Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib.

América Latina agora tem 22 cardeais eleitores

Dom João Braz Cardeal de Aviz foi o único latino-americano na lista do Sumo Pontífice. Os 22 novos cardeais vêm dos Estados Unidos, Hong Kong, Itália, Portugal, Espanha, Brasil, Índia, Canadá, República Tcheca, Holanda, Romênia, Bélgica e Malta. Dezoito deles têm menos de 80 anos de idade e, portanto, serão elegíveis no caso de um conclave para eleger o próximo papa. Doze deles são europeus, levando o número de “cardeais eleitores” do continente para 67 entre os 125.

Peregrinando a Roma

O cardinalato de Dom João levou familiares e amigos a peregrinarem do Brasil a Roma para testemunhar esse momento único na vida daquele que outrora foi o pastor de milhares de fiéis. Cerca de 80 pessoas foram acompanhadas pela empresa Obra de Maria, especializada em peregrinações, para participar de todos os atos que envolveram a criação dos novos cardeais.

Ainda no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o irmão de Dom João e também sacerdote atuante em Brasília, Pe. Amauri de Aviz, falou do orgulho de se ter um irmão Cardeal. “Somos filhos de açougueiro. E os antigos diziam que filho de açougueiro não podia ser padre. Aí está a resposta de Deus. Dois padres e, agora, um de nós será criado cardeal”, contou o simpático padre.

 Entre outros compromissos, a peregrinação contou com participação em audiências com o Santo Padre; visita às basílicas Papais de Roma; participação no Consistório; ida à Assis, cidade natal de São Francisco e Santa Clara; e missa dominical na basílica vaticana. Além disso, a embaixada do Brasil na Santa Sé homenageou o Cardeal, na presença de autoridades civis como o embaixador Almir Franco e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho – representante da presidenta Dilma Rousseff.

Outro momento forte vivido pelos peregrinos foi a missa presidida por Dom João diante do túmulo de São Pedro. Durante homilia, o Arcebispo emérito de Brasília disse aos presentes que é importante que retornemos ao enamoramento de Deus. “Este é o ano da fé, que será celebrado a partir de outubro. É o ano também da nova evangelização. E o que está faltando para a Igreja? O Papa diz: testemunho maior, transparência maior e sermos, de verdade, pastores uns dos outros – cuidarmos uns dos outros com amor. Assim, tiramos da Igreja tudo aquilo que não é Evangelho, que não é testemunho”, ressaltou.

Aos fiéis de Brasília, Dom João mandou um recado carinhoso, em entrevista exclusiva à Revista Brasília Católica. “Planejei viver e morrer por Brasília, mas o Pai tinha outros planos pra mim. Trago, no entanto, Brasília no coração e continuo rezando, diariamente, uma dezena do terço por todos aqueles que acompanhei por sete anos de minha vida”, finalizou.

Representando o Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, fez parte do grupo o Pe. Euclides Gonçalves Ferreira, Vigário Episcopal para os Religiosos e Religiosas. Segundo Pe. Euclides, pelos sete anos que passou à frente da Arquidiocese de Brasília, Dom João está muito ligado à Capital Federal. “Ele é homem da nossa casa. E nos marcou com sua presença carismática. Ele que sempre foi muito bem articulado com o clero, as pastorais, as autoridades, está na memória de Brasília”, diz. E pe. Euclides completa: “Fiquei impressionado com sua capacidade de ser acolhedor. Éramos um grupo razoavelmente grande em Roma e Dom João fez questão de dar atenção a todos individualmente. Mesmo diante da grandiosa missão de ser Cardeal e tratar das questões do Papa, ele permanece humilde. Como o Santo Padre disse, ser Cardeal não é um prestígio, mas uma missão de amor e martírio”.

O casal José Alfredo e Elaine Lima, ministros extraordinários da Eucaristia da paróquia Imaculado Coração de Maria (Park Way), têm absoluta certeza que jamais presenciarão algo tão forte em suas vidas. Elaine explica: “Dom João é um verdadeiro pastor – pastor este que conhece suas ovelhas pelo nome, pelo olhar. E ver uma pessoa que você conhece tão de perto ser escolhida pela Igreja para se tornar um Cardeal, que pode ser denominado um “amigo íntimo do Papa”, é indescritível”. E reitera: “Eu e meu marido deixamos três filhas em Brasília e fomos a Roma não para ver o Coliseu, por exemplo. As deixamos porque sabíamos que não teríamos novamente igual oportunidade. Foi um privilégio para nós”, finalizou.

Já na opinião dos coordenadores do Curso Superior de Teologia, Graça Navarro e Tebúrcio Oliveira, desde o dia 06 de janeiro de 2012 que o seus corações estão em festa, pela feliz noticia do Cardinalato de Dom João. ”Ele sempre foi uma presença amorosa em nossas vidas, em todas as circunstâncias. ‘Sua marca’ era a autenticidade e a fidelidade de seu testemunho de amor à Santíssima Trindade, à Igreja, à verdade evangélica e à comunhão com o Santo Padre”, conta Graça. Segundo Tebúrcio, o Papa afirmou que o Cardinalato é um serviço a Deus, à Igreja e aos irmãos, de forma incondicional até o derramamento de sangue, se preciso for. “Hoje, podemos afirmar que Dom João já vivia, inteiramente, a missão do Cardinalato”, reitera.

Os Diáconos Permanentes Manoel Damasceno e Paulo Cezar Leite, ordenados pelo então arcebispo de Brasília, também fizeram parte da peregrinação, como uma forma de gratidão àquele que lhes impôs às mãos e os tornou servos da Igreja, a exemplo de São Lourenço. Sobre Dom João Braz de Aviz Nascido em Mafra, no interior de Santa Catarina, Dom João Braz foi ordenado padre em 1972, mas desde 1958 estudava em um seminário de Assis (SP), para onde a família se mudou. Em 1994, passou a ser bispo e, em 2004, foi nomeado arcebispo de Brasília. Na Capital Federal, ficou por seis anos, até ser chamado ao Vaticano para substituir o cardeal Franc Rodé, na prefeitura da congregação. Ele, que completa 65 anos em abril, é o 20º cardeal brasileiro nomeado pelos papas desde 1905.

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2 Respostas to “Arcebispo emérito de Brasília Dom João Braz de Aviz é criado Cardeal pelo Papa”

  1. Elton Pacheco Says:

    Olha só! Então a viagem a Roma rendeu matéria também? Parabéns Suzy!

  2. suzanaleite Says:

    Sim, rendeu! Na realidade, eu já fui com a encomenda feita. Só não pensei que ia render três páginas! Ela foi publicada na revista da Arquidiocese de Brasília, a Brasília Católica.

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