Era madrugada de 30 de maio de 2013…

Havia algumas noites que eu já não dormia bem, naquela altura do campeonato, com 37 semanas e um dia de gestação, era totalmente compreensível que dormir não seria a tarefa mais fácil. Barriga enorme, Mariana remexendo sem parar, pressão sobre o pulmão e aquela dor insuportável na região pélvica que me fazia gemer ao virar de lado na cama. Tudo isso somado a contrações de Braxton Hicks que iam e vinham sem serem ritmadas, mas doloridas e que me davam uma falta de ar daquelas.

Era madrugada de 30 de maio de 2013. O silêncio da casa era interrompido pelo barulho do ventilador que soprava de um lado para outro tentando amenizar o calor insuportável que fazia naqueles dias de outono. Entretanto, passei a despertar por outro motivo no calar da noite. Fortes cólicas me acordaram, fazendo-me ziguezaguear pelos cômodos da casa.

Acordei o marido. Disse a ele que as dores estavam mais fortes e que eu provavelmente não conseguiria ir à Santa Missa de Corpus Christ pela manhã. Mas não era motivo para preocupação. Afinal de contas, Mariana estava prevista para três semanas à frente. Havia apenas um dia que a gravidez atingira o conceito “a termo” e eu não devia esperá-la para aquele dia.

Deitei novamente. Já passavam das 4h da manhã. Levantei. Não tinha como conseguir dormir. A cólica aumentava. As dores nas costas apareceram também. Fui ao banheiro. Descobri, de fato, que o “tampão” existe. (Para os leigos, o tampão é a substância que protege o colo do útero e evita a entrada de bactérias). Ele – de cor branca e de aspecto gelatinoso – caiu de uma só vez quando eu tentava conter aquela dor sentada ao (é feio de falar, eu sei) vaso sanitário.

Corri pro marido novamente. Contei o ocorrido. Meio dormindo, meio acordado, ele perguntou o que significava, de fato, a liberação do tampão. Falei que o parto podia ser aquele dia ou semanas após o ocorrido. Ele relaxou e voltou a dormir. Eu não. A dor não me deixava. Foi quando andando de um lado para o outro senti as pernas molhadas. Coloquei as mãos entre as coxas. Elas voltaram molhadas.

Acordei o marido pela terceira vez. Era a bolsa que havia estourado. Não tinha mais jeito. Mariana queria nascer. Ela escolheu aquele dia santo, no finzinho de maio, mês de Maria Santíssima, porque era não era uma menininha qualquer, era uma Mariana, futura devota de Maria, Mãe de Deus. Minha “Maria” que me foi revelada um mês antes da concepção.

O marido desesperou. Pulou da cama, fez-me ligar para o obstetra e também acordá-lo na madrugada. Dr. Marcélio mandou colocar as malas no carro e seguir para o hospital. Ao tomar o banho, a bolsa rompeu-se totalmente. Mariana iria chegar mesmo!

O calor da madrugada deu lugar a uma chuva torrencial. Era o céu dando boas-vindas à nova filha de Deus. Seguimos para o Santa Luzia debaixo de chuva, entre as contrações, avisávamos os parentes mais próximos.

E assim se fez. Após o romper do dia, após às 7h da manhã, minha menina nascia por meio de uma cesária. Não era muito grande. Com 49,5 cm e 2,910, ela veio ao mundo, pronta para transformar a minha vida e o meu coração.

O marido, com os olhos lacrimejando, disse: Nasceu! Ouvi seu choro. A enfermeira a tomou pelos braços e colou o pequenino rosto de Mariana ao meu. Ela ainda chorava. Eu então pronunciei palavras que nem me lembro devido o tamanho da emoção. Mas algo ficou profundamente marcado em minha memória. Seu choro silenciou ao ouvir minha voz. A mesma voz que ela ouvira nos últimos nove meses. A perfeição divina do elo entre mãe e filha que nasce já na concepção se mostrava real.

Minha Mariana, linda Mariana. A versão feminina do meu Pedro fez meu coração disparar igualmente mais uma vez na minha vida. Porque ser mãe é isso. É se emocionar novamente, com a mesma intensidade, em momentos diferentes. Minha desejada e esperada filha havia nascido, naquela manhã quente e chuvosa, cumprindo mais uma vez a vontade de Deus em minha vida.

 

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